O derramamento do Espírito Santo

O tema do livro de Atos é a expansão do corpo de Cristo pelo Espírito por meio do testemunho dos discípulos. Todavia essa expansão, deve acontecer por meio da unção do Espírito na vida dos discípulos. O revestimento de poder aconteceu por meio do derramamento do Espírito, no batismo no Espírito Santo.

“Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; de repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem. Ora, estavam habitando em Jerusalém judeus, homens piedosos, vindos de todas as nações debaixo do céu. Quando, pois, se fez ouvir aquela voz, afluiu a multidão, que se possuiu de perplexidade, porquanto cada um os ouvia falar na sua própria língua. Estavam, pois, atônitos e se admiravam, dizendo: Vede! Não são, porventura, galileus todos esses que aí estão falando? E como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna? ” Atos 2:1-8

 

“Todos, atônitos e perplexos, interpelavam uns aos outros: Que quer isto dizer? Outros, porém, zombando, diziam: Estão embriagados! ” Atos 2:12

  1. No dia de Pentecostes

O dia de Pentecostes era o quinquagésimo dia depois da ressurreição do Senhor. A palavra Pentecostes significa quinquagésimo. O Senhor foi crucificado na Páscoa (Jo. 19:14). O Pentecostes era o quinquagésimo dia contado a partir do dia seguinte ao sábado da Páscoa (Lc. 23:54 a 24:1). O Pentecostes era ainda chamado festa das semanas (Dt. Dt. 16:10), por que acontecia sete semanas depois da Páscoa e a festa da colheita (Ex. 23:16). Jesus morreu numa sexta-feira às três horas da tarde e na própria sexta-feira foi sepultado. Segundo a forma dos judeus contarem os dias, a sexta foi o primeiro dia de sua morte, o sábado foi o segundo e o domingo, quando ele ressuscitou, foi o terceiro. Levítico 23:15-16 diz que os 50 dias do Pentecostes deveriam ser contados a partir do dia seguinte ao sábado da Páscoa (Lv. 23:15-16). Sendo assim tanto a ressurreição quanto o Pentecostes aconteceram no domingo. A festa do Pentecostes era também chamada festa da colheita e simboliza o rico produto gerado pela ressurreição de Cristo. No Pentecostes temos o suprimento completo de Deus para todas as nossas necessidades, o Espírito Santo enviado para ser o nosso poder e a nossa vida.

Como todas as verdades da Palavra de Deus, o sentido espiritual do Pentecostes tem dois lados:

 

  • Por um lado, somos feitos lavoura de Deus a ser colhida no arrebatamento;

 

  • Por outro lado, somos feitos ceifeiros revestidos de poder para colher a seara madura das almas no mundo.

 

 

Gálatas 3:14 diz que a bênção mais importante do evangelho não é o céu e nem o perdão dos pecados, mas é o Espírito Santo vindo para habitar em nós, nos encher e ser a nossa vida e poder. O Espírito Santo é o próprio Deus habitando dentro do homem. Ele é o selo da propriedade de Deus sobre nós, e é o penhor e antegozo da glória futura. Esse é o mistério oculto dos séculos e das gerações, Cristo morando dentro de nós pelo Espírito Santo. Para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios, em Jesus Cristo, a fim de que recebêssemos, pela fé, o Espírito prometido. Gl. 3:14

  1. Um vento impetuoso

O Espírito como sopro aponta para o Espírito Santo como vida.

“E, havendo dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. Jo. 20:22”

O vento impetuoso que encheu a casa aponta para o Espírito como revestimento de poder.

São duas experiências distintas:

 

  • A primeira experiência aponta para o novo nascimento, a regeneração, que acontece no dia da nossa conversão quando recebemos o Senhor.

 

  • A segunda experiência aponta para o batismo no Espírito Santo quando o

 

 

Fogo de Deus nos enche de poder para testemunhar. O sopro em João 20 é para a vida e o vento em Atos 2 é para o revestimento de poder. Em João o Espírito é comparado à água para beber (Jo. 4:14; Jo. 7:37-39), Mas em Lucas e em Atos que são um único volume, o Espírito é comparado à roupa que vestimos.

“Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai; permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder. Lc. 24:49”

A água é para a vida interior e a roupa é para a obra exteriormente. Nós podemos ilustrar isso com um policial. Quando ele se levanta ele precisa de beber ou comer algo para ter força. Isto é representado pelo Espírito como vida. Mas ele precisa de colocar o uniforme para ter autoridade. O uniforme é o Espírito como poder. O sopro é para vida e o vento é para o mover. O sopro nos dá vida, mas o vento nos dá poder e autoridade. Duas palavras no grego são traduzidas como encher no texto. No verso 2 diz que um vento encheu a casa, aqui o verbo usado é pleróo que significa encher por dentro. Depois no verso quatro diz que todos ficaram cheios do Espírito. A palavra usada aqui para cheio é plethó que significa ser cheio por fora. Duas palavras no grego são traduzidas como encher no texto. No verso 2 diz que um vento encheu a casa, aqui o verbo usado é pleróo que significa encher por dentro. Depois no verso quatro diz que todos ficaram cheios do Espírito. A palavra usada aqui para cheio é plethó que significa ser cheio por fora. Todo crente precisa experimentar os dois aspectos do Espírito Santo. Mesmo o Senhor Jesus experimentou isso. Ele era nascido do Espírito (Lc. 1:35, Mt. 1:18 e 20) e também foi ungido com o Espírito Santo (Mt. 3:16; Lc. 4:18). Ele tinha o Espírito como vida e como unção.

  1. Línguas de fogo

Atos diz que línguas de fogo pousaram sobre cada um deles. A língua é um símbolo da fala, o que denota que o Espírito como poder é principalmente para falar. Ele é o Espírito que fala. O fogo simboliza o poder ardente que há no mover de Deus para purificar e motivar.

  1. E passaram a falar em outras línguas

Ainda que os homens entendiam o que os Apóstolos proferiam, as línguas podem apenas ser interpretadas e não traduzidas. Nem sempre as línguas são dialetos como em Atos, mas podem ser ininteligíveis como I Coríntios 12 a 14.

“Paulo chamou as línguas de línguas dos anjos e gemidos inexprimíveis (Rm. 8:26).”

É um princípio de Deus que as realidades espirituais têm manifestações visíveis em nossas vidas:

 

  • Quando somos cheios do amor de Deus, ele se revela por um amor aos irmãos.

 

  • Os pensamentos dos nossos corações são expressos pelas nossas palavras.

 

  • O verdadeiro arrependimento é expresso pelo batismo nas águas.
  • E o recebimento do Espírito é manifesto pelo falar em línguas.

 

 

 

Há uma diferença entre línguas como a evidência inicial do batismo do Espírito Santo e o falar em línguas como o “dom de línguas”. Todos os casos no livro de Atos onde se mostra alguém recebendo o batismo no Espírito Santo mostram que as pessoas falaram em línguas ao receberem o Espírito.

O exemplo do dia de Pentecostes:

“Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem. Atos 2:4.”

O exemplo dos Samaritanos:

“Então, lhes impunham as mãos, e recebiam estes o Espírito Santo. Vendo, porém, Simão que, pelo fato de imporem os apóstolos as mãos, era concedido o Espírito Santo, ofereceu-lhes dinheiro, propondo: Concedei-me também a mim este poder, para que aquele sobre quem eu impuser as mãos receba o Espírito Santo. Atos 8:17-19.”

O exemplo de Paulo:

“Então, Ananias foi e, entrando na casa, impôs sobre ele as mãos, dizendo: Saulo, irmão, o Senhor me enviou, a saber, o próprio Jesus que te apareceu no caminho por onde vinhas, para que recuperes a vista e fiques cheio do Espírito Santo. Atos 9:17.”

“Dou graças a Deus, porque falo em outras línguas mais do que todos vós. I Cor. 14:18”

O exemplo de Cornélio:

“Ainda Pedro falava estas coisas quando caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra. E os fiéis que eram da circuncisão, que vieram com Pedro, admiraram-se, porque também sobre os gentios foi derramado o dom do Espírito Santo; pois os ouviam falando em línguas e engrandecendo a Deus.  Atos 10:44-46.”

O exemplo de Éfeso:

“Perguntou-lhes: Recebestes, porventura, o Espírito Santo quando crestes? Ao que lhe responderam: Pelo contrário, nem mesmo ouvimos que existe o Espírito Santo. Então, Paulo perguntou: Em que, pois, fostes batizados? Responderam: No batismo de João. Disse-lhes Paulo: João realizou batismo de arrependimento, dizendo ao povo que cresse naquele que vinha depois dele, a saber, em Jesus. Eles, tendo ouvido isto, foram batizados em o nome do Senhor Jesus. E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e tanto falavam em línguas como profetizavam. Atos 19:2-6. ” Todavia, Paulo mostra que há também um falar em línguas dentre os vários dons que foram dados à Igreja para o ministério do Corpo. (I Cor. 12:10 e 30 além de 14:5 e 26). Nesse caso deve haver interpretação. Dom de línguas mais interpretação será igual a profecia. Foi a confusão destes dois, aliás, que Paulo procurou corrigir na Igreja de Corinto. Paulo esclareceu este problema mostrando que na reunião da Igreja cada pessoa deveria procurar edificar o Corpo ( I Cor. 14:12); e que as mensagens em línguas dadas na reunião deveriam ser interpretadas para que todos pudessem ser edificados (I Cor. 14:5 e 28). Paulo esclarece, no entanto, que ele não está se referindo ao uso privado de línguas, nas orações e louvor deles ao Senhor (Ver I Cor. 14:4,15,18 e 19). A isto ele chama de “orar no Espírito” e “cantar no Espírito” (Vs. 15). 5. E os ouviam falar em sua própria língua. Existe uma relação inegável entre o juízo de Deus em Babel e o Pentecostes quando ele restaurou a comunicação entre os homens. Somente pelo Espírito podemos nos fazer entender. A verdadeira comunicação ou comunhão somente pode ocorrer pelo Espírito. Em Babel Deus destruiu a edificação maligna e no Pentecostes ele começou efetivamente a sua edificação na terra. Em ambos os casos as línguas foram um sinal.

  1. Estão embriagados:

E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais. Ef.5:18 e 19

“Os discípulos expressavam um comportamento que as pessoas confundiam com a embriaguez. É por isso que Paulo manda que nos embriaguemos do Espírito em Efésios 5:18.”

 

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