O Dízimo e as Primícias

A Bíblia fala muito a respeito de dinheiro. São mais de dois mil versículos tratando, de forma direta ou indireta, sobre finanças. Por que Deus fala tanto de dinheiro em Sua Palavra? Porque o dinheiro diz muito a nosso respeito. A maneira como lidamos com o dinheiro, revela muito as nossas prioridades, lealdades e afeições.

A forma como tratamos com a questão financeira, vai determinar, em grande medida, o nível das bênçãos que receberemos de Deus. Por quê? Porque nada mostra mais o nosso coração do que o dinheiro e as palavras. A Bíblia diz: “O homem bom do bom tesouro do coração tira o bem, e o mau do mau tesouro tira o mal; porque a boca fala do que está cheio o coração”. (Lc 6.45); “Porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração”. (Mt 6.21). 

Dinheiro e palavras delatam o nosso coração. Jesus disse que onde estiver o nosso tesouro, ali estará o nosso coração. O coração está no centro dos interesses de Deus, por isso, a questão do dinheiro é tão importante, pois ele é o único a, de fato, concorrer com Deus no controle de nosso coração. Aquilo em que primeiro aplicamos o nosso dinheiro, demonstra onde está a nossa prioridade e lealdade.

Precisamos colocar Deus em primeiro lugar em nossa vida, nossa família, profissão e, acima de tudo, nas nossas finanças. Um princípio importante na vida espiritual é reconhecer que as coisas mais importantes precisam vir primeiro. Percebemos o que é importante na nossa vida, simplesmente, observando o que colocamos em primeiro lugar. O dinheiro é importante, porque ele sempre mostra quem vem em primeiro lugar. Existe na Palavra de Deus, um princípio muito importante que o chamo de: “princípio do primeiro”.

As Escrituras nos ensinam que o primeiro pertence a Deus. Tudo, em última análise, pertence a Deus, mas Ele nos permite usufruir, graciosamente, de quase todas as coisas. Existem, porém, algumas que são, exclusivamente, de Deus e ninguém pode tocar. Aquilo que vem primeiro é uma dessas coisas que pertence, exclusivamente, a Deus. No Tabernáculo de Moisés, por exemplo, existiam três partes: o Átrio, o Lugar Santo e o Santo dos Santos. No Átrio, todos podiam entrar; no Lugar Santo, apenas os sacerdotes e levitas; mas no Santo dos Santos, por ser, exclusivamente, para Deus, somente o sumo sacerdote, uma vez por ano, levava o sangue da expiação e o aspergia sobre a tampa da Arca, chamada de propiciatório.

O Santo dos Santos era para Deus e qualquer um que entrasse ali, certamente morreria.

O exemplo de Adão e Eva 

Lá no Éden, quando Deus criou o homem, Ele lhe disse: “Adão, você pode comer de todas as árvores do jardim, inclusive da árvore da vida, mas há uma árvore que é minha e do fruto dessa árvore você não pode comer”. Essa, você sabe, era a árvore do conhecimento do bem e do mau. Certas coisas são exclusivamente de Deus, a árvore do conhecimento do bem e do mal era uma delas. A tentação do diabo, todo o tempo, é levar o homem a tocar naquilo que é só de Deus. O homem pode ter tudo, uma infinidade de árvores no jardim, uma variedade enorme de frutos, todavia, o diabo quer levá-lo a tocar naquilo que é de Deus.

Deus não criou o homem para ser Seu escravo e nem colocou a árvore do conhecimento do bem e do mal para tentar o homem. Alguns pensam que aquela árvore era tentadora, mas isso não é verdade. Tiago diz: “Ninguém, ao ser tentado, diga: sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta” (Tg 1.13). Quando Deus separou algo exclusivamente para Si, foi para mostrar ao homem que Ele é o Senhor. Eles deveriam ser lembrados, pela proibição, que eram comandados por Deus. Quando comeram do fruto, tomaram algo que era de Deus e o resultado foi a morte. Ao tomarmos o que é de Deus, nos fazemos iguais a Ele, e esta é uma atitude luciferiana.

Os primeiros frutos devem ser ofertados 

Os primeiros frutos também deveriam ser ofertados, porque o primeiro fruto também é de Deus. “As primícias dos primeiros frutos da tua terra trarás à Casa do Senhor, teu Deus”. (Êx 34.26). O Senhor diz que as primícias dos primeiros frutos eram Dele. Não eram apenas os primeiros, mas os primeiros dentre os primeiros. Deus jamais aceita ser o segundo. A primeira colheita é de Deus, o primeiro fruto que desse em uma árvore, era de Deus, o primeiro de qualquer coisa, deve ser ofertado a Deus.

O exemplo de Abel e Caim  (Gn 4.3-5). 

A oferta de Abel foi a primícia do rebanho, mas a oferta de Caim não foi a primícia da sua colheita. Esse foi um dos motivos que a oferta de Abel foi aceita e a de Caim rejeitada. Deus aceita somente o primeiro, e somente quando Ele é colocado em primeiro lugar. A oferta de Caim não procedeu de fé, pois ele trouxe ao Senhor algo depois de algum tempo, ou seja, depois de ajuntar alguma colheita. Na Bíblia, o trabalho agrícola significa suor do rosto e aponta para a obra humana, enquanto o trabalho do pastor significa fé e confiança na graça. Deus não aceita nada que não dependa de fé.

Abel trouxe as primícias, ou seja, ele não esperou ter mais para ofertar ao Senhor, ele deu o primeiro, antes do segundo vir. A Bíblia diz que Abel ofereceu um sacrifício que envolveu sangue, por isso Deus aceitou, enquanto Caim, não.  Se Deus não é o primeiro em nossa vida, então não é o nosso Deus. Ele só pode operar em nós se estiver na posição de primeiro. Abel desfrutou da bênção, porque colocou Deus em primeiro lugar.

O exemplo de Abraão e Isaque 

Houve um momento em que Deus precisou comprovar o lugar que possuía na vida de Abraão. Era necessário demonstrar, diante do mundo espiritual, que o Senhor era Deus na vida de Abraão, e a única maneira seria através de uma prova para ver se Deus ocupava o primeiro lugar. Deus então requereu o primeiro filho de Abraão. Podemos questionar dizendo que Isaque não era, de fato, o primeiro filho de Abraão. Ele teve Ismael antes. Mas veja (Gn 22.2).

O Senhor disse que Isaque era o único filho de Abraão, significando que Ismael não foi contado. Sendo o único, ele era também o primeiro, e sabemos que todo primeiro pertence a Deus. Mas antes que Abraão concretizasse o sacrifício, o Senhor então, lhe disse: “Não estendas a mão sobre o rapaz e nada lhe faças; pois agora sei que temes a Deus, porquanto não me negaste o filho, o teu único filho”. (Gn 22.12). Tanto a fé, quanto o lugar de Deus na vida de Abraão ficaram evidentes: Deus era o primeiro. Dar o “Isaque”, não significa, necessariamente, dar o melhor ou o sacrificial, mas significa antes de tudo, dar o primeiro.

O primogênito é do Senhor 

O primeiro é de Deus, por isso o primogênito deveria ser sacrificado ou redimido. Todo primeiro é de Deus. Todo primogênito é de Deus. Por dezesseis vezes no Velho Testamento o Senhor diz isso.

(Ex 13.12,13). 

O primogênito da jumenta deveria ser resgatado com um cordeiro. O jumento é um animal impuro, por isso deveria ser trocado por um cordeiro ou, então, deveria ser morto. Todo primogênito do homem, deveria ser resgatado. A regra aqui é a seguinte: o animal puro deveria ser sacrificado, mas o animal impuro deveria ser redimido.

Aqui está uma grande revelação da Palavra de Deus: o homem é impuro, porque todo homem nasce no pecado, nasce com a natureza pecaminosa. Sendo assim, ele deve ser redimido. O que significa ser redimido? Significa que outro vai pagar o preço no lugar do culpado. Jesus foi o primeiro, mas como Ele era puro, deveria ser sacrificado. E Ele foi sacrificado para que pudéssemos ser redimidos. Nenhum de nós poderia ser sacrificado, porque somos impuros; alguém deveria nos redimir. Jesus, sendo o primeiro e sendo puro, tomou nosso lugar e assim, fomos redimidos. A Palavra do Senhor diz, que se as primícias forem santas, todo o resto será santo também. (Rm 11.16).

O primeiro tem o poder de santificar. É por isso, que o primeiro é de Deus. Quando Deus deu o Seu Filho, Ele era apenas o unigênito. Deus entregou Seu Filho unigênito como oferta. Ele não tinha garantia de que os homens creriam Nele, de que viriam; todavia, mesmo sem ter ainda, nenhum outro, Ele entregou o único que tinha. Esse é o princípio que Ele exige de nós hoje. Muitos de nós, só damos o dízimo depois de pagar todos os outros compromissos, Deus não! Ele deu tudo, quando só tinha um. Uma vez que Ele deu esse um, pode colher multidões incontáveis. Ele deu tudo, E porque Ele deu tudo, Ele pode ter todos. O princípio do primeiro é muito poderoso.

O exemplo dos primogênitos no Egito

Deus havia dito a Faraó para deixar sair o Seu primogênito. Observe que Deus diz claramente que Israel é Seu primogênito. Faraó não acatou a ordenança de Deus, então Ele começou a enviar as pragas, que se tornaram, progressivamente, mais severas. A história das pragas não é uma analogia que as pessoas gostam de aplicar à sua própria vida. Assim como os egípcios, sempre existem aqueles que acham que não há nada a ser mudado em sua vida, porque não conseguem ver a chegada do julgamento.

Os pequenos problemas podem ser uma advertência de Deus. Hoje, são alguns “mosquitos e gafanhotos”, mas é progressivo. Se não houver mudança, o juízo pode se tornar severo. A lição das pragas é esta: se não colocarmos Deus em primeiro, isso não O impedirá de ser o primeiro. Ele entrará em demanda com você, até que Ele seja colocado no Seu lugar devido: o primeiro lugar.

O exemplo de Paulo 

No Novo Testamento, Paulo ensina aos coríntios: (1Co 16.1,2). Não podia ser no segundo, tinha que ser no primeiro, porque Deus só aceita o primeiro. No original, a palavra “conforme”, aqui é: “proporcional”. E nós sabemos que a proporcionalidade bíblica é o dízimo, que deve ser entregue no primeiro dia da semana. Se Deus é o Senhor em nossas vidas, então Ele deveria ter o primeiro dia consagrado a Si. Vivemos num tempo em que já não se liga para isso. As pessoas tratam o domingo como se fosse um dia qualquer. Quantos de nós começamos a semana diante de Deus? Ou quantos damos para Deus apenas quando sobra?

Existem irmãos que vão ao culto de vez quando e se desculpam, dizendo que podem adorar a Deus em qualquer lugar. É verdade. Mas qual é o momento exclusivamente de Deus, que demonstra a posição Dele em nossas vidas? Domingo é o dia do Senhor, separe-o para Deus. Não é, portanto, unicamente uma questão de dinheiro. Também não é uma questão de legalismo. Se algum impedimento, como: enfermidades, problemas familiares, carro quebrado, greve de ônibus, ou imprevisto do tipo ocorrer, tudo bem.

Mas se tudo estiver normal, e ainda assim você preferir investir seu tempo em outra coisa, não espere o poder de Deus fluindo em você. Se Ele não é o primeiro na sua vida, não espere que a glória Dele venha, nem que a unção se manifeste através de você. Deus tem que ser o primeiro. Quando você dá o primeiro para Deus, Ele santifica o resto. Se você separa o domingo para vir buscar a Deus e adorá-lo, Ele santifica os outros seis dias da semana por amor a esse tempo que você dedicou a Ele.

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